Agora
as palavras são mesmo impossíveis
ao desenho.
Como vou eu contar em palavras
a cumplicidade
a ternura
a alegria
por vezes a tristeza...
Como vou desenhar
histórias felizes
de árvores
pássaros
flores do campo
borboletas
bichos de conta
estrelas do mar
conchas misteriosas...
Como vou contar
dos abraços
das pedrinhas
dos desenhos de mim
das folhinhas que eram, barcos,
aviões...
dos mil e um presentinhos
que deixavam as mãos e os bolsos
dos meninos
para fazer montinhos na minha
mesa e no meu coração.
Como vou desenhar
todas as coisas que fizemos
antes de crescer?
Como se desenham
batalhas de almofadas
um guarda chuva barco
casas com o coração aceso
palácios que não existem
fadas que saem de livros
livros que são escolhas de
fadas...
E como vou lembrar aos meninos
que ler e escrever no papel
são as coisas que menos importa?
Agora que cresceram “e deixaram
os meus braços para trás?!”
